Como Funciona um Workshop de LEGO® Serious Play® do Início ao Fim
- Renan Grandin

- há 1 dia
- 7 min de leitura
Reuniões longas, pouca participação e decisões que não “pegam” são sintomas clássicos de um problema maior: falta de clareza compartilhada. Quando cada pessoa entende a estratégia de um jeito, o time até se esforça, mas entrega em direções diferentes. É aqui que um workshop de LEGO® Serious Play® (LSP) costuma surpreender.
Em vez de pedir que as pessoas “conversem mais” ou “sejam mais colaborativas”, o LSP cria um ambiente de pensamento estruturado, mão na massa e 100% de participação. As ideias ganham forma em modelos construídos com peças de LEGO® e se tornam mais fáceis de explicar, questionar, combinar e transformar em decisões.
Este artigo mostra, de forma prática, como funciona um workshop de LEGO® Serious Play® do briefing ao pós-workshop, com o que você pode esperar em cada etapa e como isso se conecta a resultados reais de negócio.
O que é LEGO® Serious Play® (e o que ele não é)
LEGO® Serious Play® é uma metodologia desenvolvida pela LEGO® com o MIT e o IMD (Suíça) para facilitar pensamento, comunicação e resolução de problemas por meio de construções físicas e metáforas. Em um workshop, as pessoas constroem modelos com peças originais de LEGO® para representar ideias, desafios, cenários e estratégias, e então compartilham o significado dessas construções com o grupo.
O ponto central não é “brincar”. É externalizar o raciocínio. Quando a ideia vira objeto, ela fica visível, questionável, combinável e aprimorável. Isso muda a qualidade do diálogo e reduz o risco de decisões baseadas apenas em opinião, hierarquia ou eloquência.
Importante: LSP não é a mesma coisa que Strategic Bricks
Existem metodologias diferentes que também usam LEGO® e materiais criativos. A Escola de Inspirações, por exemplo, tem o Strategic Bricks, uma metodologia própria baseada em 12 fundamentos de aprendizagem e que pode usar outros materiais além de LEGO®. Já o LEGO® Serious Play® segue o método LSP e seus princípios específicos. Se você está comparando soluções, vale entender bem essa diferença para contratar o que faz sentido para o seu objetivo.
Antes do workshop: o que acontece no briefing e no desenho da sessão
Um bom workshop de LSP não começa na sala. Ele começa no diagnóstico. É nessa fase que se define se o LSP é a ferramenta certa para a questão e como desenhar uma jornada que leve a entregáveis concretos.
1) Definição do desafio e dos resultados esperados
Um workshop pode atacar temas como planejamento estratégico, inovação, engajamento, liderança, cultura, gestão de crises e reuniões de alinhamento. Para funcionar, o desafio precisa ser formulado como uma pergunta útil, por exemplo:
Qual é a estratégia que realmente guia nossas decisões hoje?
Quais obstáculos invisíveis estão travando a execução?
Como queremos que nossa cultura apareça no comportamento do dia a dia?
Quais são os riscos do próximo trimestre e como vamos responder?
Nessa etapa, também se combina o nível de profundidade e o formato. O LSP pode variar de 2h a 16h e atender grupos de 3 a 500 pessoas, dependendo do desenho.
2) Seleção de participantes e preparação do ambiente
O LSP funciona melhor quando as pessoas que “carregam pedaços do problema” estão na sala. Nem sempre é só liderança. Muitas vezes, é a operação, o comercial, o atendimento, o produto e o RH juntos, porque os atritos do sistema acontecem entre áreas.
O ambiente também é planejado para facilitar participação e segurança psicológica: mesas, distribuição de materiais, ritmo de perguntas e regras claras de fala. Em formatos online ao vivo, a preparação inclui logística de kits e adaptação das dinâmicas ao digital sem perder a essência mão na massa.
Se você quer entender como o LSP pode ser desenhado para o seu contexto, este é um bom momento para explorar formatos de workshop com LEGO® Serious Play® e avaliar o que faz sentido para o seu time.
Durante o workshop: o passo a passo da facilitação (do aquecimento à síntese)
Embora cada workshop seja customizado, existe uma lógica recorrente. O método cria um ciclo que alterna construção individual, compartilhamento, reflexão coletiva e tomada de decisão. Isso aumenta foco e reduz dispersão.
Etapa 1: abertura, acordos e objetivo comum
O facilitador abre a sessão deixando claro o problema a ser trabalhado, o que será considerado sucesso e como o grupo vai operar. Um detalhe importante: no LSP, todo mundo constrói e todo mundo explica sua construção. Isso equaliza a participação e evita que apenas as vozes mais fortes dominem o diálogo.
Etapa 2: aquecimento (skills building)
É a fase em que o grupo se familiariza com as peças e, principalmente, com a linguagem de metáforas. As construções são simples e rápidas, com perguntas objetivas, para que todos entendam que “não existe modelo feio”, existe modelo com significado.
O efeito prático do aquecimento é imediato: pessoas que normalmente se silenciam em reuniões começam a falar com segurança, porque o modelo vira apoio para a narrativa.
Etapa 3: construção do estado atual (o que está acontecendo de verdade)
Antes de decidir o futuro, o time precisa enxergar o presente. Nessa etapa, os participantes constroem modelos que representam:
Como o trabalho flui hoje entre áreas.
O que está funcionando e por quê.
Onde estão os gargalos, ruídos e conflitos.
Quais crenças e hábitos sustentam o sistema atual.
Essa fase costuma gerar um ganho que reuniões tradicionais raramente conseguem: as pessoas percebem padrões do sistema, não apenas “culpados”.
Etapa 4: construção do estado desejado (o que queremos criar)
Aqui o grupo constrói o futuro com o mesmo rigor do presente. Em vez de frases genéricas como “queremos inovar mais”, o LSP exige concretude: como a inovação aparece? Quais sinais mostram que a cultura mudou? O que seria diferente no comportamento de líderes e times?
Em workshops de planejamento e cultura, essa etapa costuma revelar desalinhamentos escondidos. Não para gerar conflito, mas para permitir escolhas conscientes.
Etapa 5: modelos compartilhados e o “mapa do sistema”
Conforme o tema, o workshop pode evoluir para modelos coletivos, conectando construções individuais em um sistema maior. É onde surgem relações de causa e efeito: uma decisão de produto impacta atendimento; uma regra de metas impacta colaboração; um processo de aprovação impacta velocidade.
O LSP torna essas relações visíveis. E o que é visível fica mais fácil de ajustar.
Etapa 6: decisões, prioridades e próximos passos
O fechamento não é “um monte de insights”. É tradução para ação. Dependendo do objetivo, o grupo pode sair com:
3 a 5 prioridades do período e o porquê.
Riscos principais e respostas planejadas.
Princípios de decisão (o que fazemos e o que não fazemos).
Acordos entre áreas para reduzir atrito e retrabalho.
Indicadores ou sinais observáveis para acompanhar evolução.
Essa etapa também define responsabilidades e cadência de revisão. Compromisso é mais provável quando as pessoas ajudaram a construir a solução, literalmente.
Depois do workshop: registro, síntese e continuidade (onde a mudança se sustenta)
O pós-workshop é parte do método quando a intenção é gerar mudança real. Sem continuidade, até uma experiência forte pode virar memória, não transformação.
Documentação e síntese do que foi construído
Os modelos e narrativas gerados no LSP podem ser consolidados em um resumo executivo com decisões, prioridades, riscos e acordos. Isso facilita comunicação com stakeholders que não participaram e dá base para planos de ação.
Ritual de acompanhamento
Uma prática comum é estabelecer checkpoints para revisar: o que avançou, o que travou e o que precisa ser ajustado. O LSP pode ser usado também em sessões menores para destravar pontos específicos, mantendo consistência metodológica.
Se o seu desafio envolve alinhamento entre áreas e execução, pode fazer sentido combinar o LSP com outras frentes de desenvolvimento. Veja como a Escola trabalha com soluções personalizadas de treinamentos e consultoria de forma integrada, conforme o momento do negócio.
Quando o LEGO® Serious Play® é especialmente indicado
O LSP tende a funcionar muito bem quando o problema tem alta complexidade humana, isto é, depende de percepção, colaboração, tomada de decisão e alinhamento. Alguns exemplos comuns no mundo corporativo:
Planejamento estratégico com necessidade de alinhamento real, não apenas consenso superficial.
Inovação quando as ideias estão travadas por medo de errar ou por falta de visão compartilhada.
Cultura e liderança quando valores existem no papel, mas não viram comportamento observável.
Engajamento quando o time perdeu senso de propósito e conexão com o trabalho.
Gestão de crise quando é preciso enxergar riscos e respostas de forma sistêmica e rápida.
É uma metodologia que substitui longas discussões abstratas por construção, narrativa e síntese objetiva. Por isso, costuma ser uma escolha forte para líderes, RH, CX, atendimento, vendas, marketing, produto e áreas que precisam operar juntas.
Conexão com a Escola de Inspirações (de forma prática)
A Escola de Inspirações atua com metodologias disruptivas e experienciais desde 2016, com sede em São Paulo (SP) e atuação no Brasil e também internacionalmente. Na prática, isso significa desenhar experiências em que as pessoas aprendem fazendo, constroem clareza em grupo e saem com decisões que podem ser executadas.
No LEGO® Serious Play®, a Escola estrutura workshops de 2h a 16h, para grupos de 3 a 500 pessoas, em formatos presencial, in company e online ao vivo. O foco não é “um dia diferente”. É criar um processo onde envolvimento gera comprometimento e comprometimento vira mudança real.
Se você está avaliando o método para planejamento, cultura, inovação ou alinhamento, um bom próximo passo é conversar sobre o desafio e entender o melhor desenho para o seu contexto. Você pode solicitar uma conversa de diagnóstico ou conhecer como funcionam os workshops experienciais da Escola para comparar opções.
Conclusão
Um workshop de LEGO® Serious Play® bem conduzido tem começo, meio e fim com intenção clara: transformar questões complexas em modelos visíveis, conversas mais honestas e decisões compartilhadas. Ele começa no diagnóstico, passa por um ciclo estruturado de construção e narrativa, e termina com síntese prática, prioridades e acordos.
Se a sua organização precisa de alinhamento de verdade, participação plena e decisões que se sustentem na execução, entender o LSP é um ótimo ponto de partida. A pergunta final que vale fazer é simples: sua equipe precisa falar mais sobre os problemas ou precisa enxergá-los melhor para conseguir resolvê-los?



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