Como Um Workshop Com LEGO Mudou a Estratégia de Uma Empresa em Um Único Dia
- Renan Grandin

- 4 de abr.
- 6 min de leitura
Estratégia costuma morrer de duas formas: ou vira um documento bonito que ninguém usa, ou vira uma conversa interminável que nunca se transforma em decisão. Em muitas empresas, o problema não é falta de inteligência, nem falta de dados. É a falta de alinhamento real. E alinhamento real não acontece quando duas ou três pessoas falam e o resto concorda em silêncio.
Quando uma empresa consegue mudar a estratégia em um único dia, o que aconteceu não foi “mágica”. O que aconteceu foi um processo bem desenhado para tirar a estratégia do campo abstrato e colocá-la no campo concreto, com participação total, linguagem comum e decisões visíveis.
É aqui que entra o LEGO® Serious Play® (LSP), metodologia desenvolvida pela LEGO® em parceria com o MIT e o IMD (Suíça). O método usa peças originais de LEGO® para facilitar pensamento, comunicação e resolução de problemas por meio de metáforas e construções. Em vez de “debater sobre” estratégia, as pessoas constroem a estratégia, mostram como pensam e tornam os pontos de discordância claros sem criar guerra de egos.
Por que a estratégia emperra mesmo em empresas competentes
Antes de falar do workshop em si, vale nomear os obstáculos mais comuns que travam decisões estratégicas. Eles aparecem em negócios de todos os portes e setores.
Excesso de discurso e pouca clareza: todo mundo usa as mesmas palavras (foco, inovação, cliente), mas cada pessoa entende algo diferente.
Reuniões com participação desigual: quem fala mais define o rumo, mesmo que não tenha a melhor leitura do problema.
Conflitos que ficam subterrâneos: discordâncias viram “política”, não viram debate produtivo.
Times com objetivos concorrentes: marketing quer uma coisa, vendas quer outra, produto quer outra. E ninguém “enxerga” o sistema todo.
Decisão sem compromisso: a estratégia até é definida, mas não é assumida. Fica parecendo “do CEO” ou “do board”, não da organização.
O que um bom processo precisa fazer é simples de dizer e difícil de executar: criar entendimento compartilhado e, ao mesmo tempo, conduzir o grupo para decisões práticas.
O que é LEGO® Serious Play® e por que ele acelera decisões
LEGO® Serious Play® é uma metodologia de facilitação baseada em aprendizagem experiencial. Em vez de pedir que as pessoas apenas opinem, o método pede que elas pensem com as mãos: constroem modelos com LEGO® para representar desafios, riscos, forças, barreiras e possibilidades. Depois, compartilham o significado da construção usando metáforas.
Isso muda o jogo por três razões:
Externaliza o pensamento: o que estava na cabeça vira um modelo. O grupo consegue “ver” diferenças de leitura e suposições ocultas.
Equilibra a participação: todos constroem e todos explicam. Não depende de quem fala melhor ou tem mais autoridade.
Facilita conversa difícil: é mais fácil discutir um modelo do que “atacar” uma pessoa. O debate fica mais seguro e objetivo.
Em termos de formato, o LSP pode variar de 2h a 16h, para grupos de 3 a 500 pessoas, online ao vivo ou presencial, inclusive in company. Para um tema como estratégia, o mais comum é trabalhar com uma jornada mais robusta, de um dia, porque ela permite ir do diagnóstico à decisão com profundidade.
Se você quer entender melhor a metodologia e aplicações possíveis, aqui é um bom ponto para inserir um link para workshops com LEGO® Serious Play®.
Como um workshop de um dia consegue mudar a estratégia (na prática)
Mudar a estratégia em um dia não significa resolver tudo. Significa sair com uma direção estratégica mais nítida, decisões que destravam o próximo ciclo e um plano de ação coerente. A seguir, um exemplo de estrutura típica que gera esse efeito.
1) Alinhamento de contexto: o mesmo problema, a mesma linguagem
Um erro comum é começar “discutindo estratégia” sem nivelar entendimentos. No LSP, o grupo começa construindo respostas para perguntas-chave, como:
O que hoje nos dá vantagem competitiva e o que virou commodity?
Quais são as forças e fragilidades do nosso modelo atual?
O que o cliente mais valoriza e o que ele tolera?
O ganho aqui é que, em poucas rodadas, surgem padrões. Em vez de uma lista genérica, aparece um mapa de percepção do time, com convergências e divergências explícitas.
2) Diagnóstico do sistema: a empresa como um ecossistema
Estratégia não é só escolher um posicionamento. É entender como as partes do negócio se conectam. Em uma etapa de modelos compartilhados, o grupo constrói o “sistema” atual: áreas, processos, pontos de atrito, dependências e gargalos.
Quando esse sistema fica visível, aparecem questões que reuniões tradicionais escondem, por exemplo:
Onde o discurso de foco se perde na operação.
Quais promessas comerciais não estão sustentadas por capacidade de entrega.
Quais decisões de curto prazo estão sabotando crescimento sustentável.
Esse é um bom momento para conectar com uma necessidade frequente das empresas: apoio para desenhar processos e alinhamento entre áreas. Você pode incluir um link para consultoria e facilitação estratégica como próximo passo natural.
3) Tensões estratégicas: o que precisa ser escolhido (e o que precisa ser abandonado)
Estratégia é escolha. E escolha real inclui renúncia. Em um dia, o que mais destrava a mudança é tornar as tensões explícitas. Alguns exemplos comuns:
Crescer com eficiência ou crescer com velocidade?
Personalização máxima ou escala?
Atender muitos segmentos ou dominar um nicho?
Inovar em produto ou inovar em modelo de serviço?
No LSP, as tensões aparecem como partes do modelo: elementos que competem por recursos, indicadores que puxam em direções opostas e riscos que o time vinha empurrando para debaixo do tapete. A conversa deixa de ser “opinião” e vira análise do sistema.
4) Construção do futuro: o modelo estratégico desejado
Depois do diagnóstico, o grupo constrói o cenário desejado. Não como um “sonho”, mas como um modelo estratégico com componentes claros:
Proposta de valor: qual promessa central será inegociável.
Capacidades críticas: o que a empresa precisa dominar (pessoas, processos, tecnologia, cultura).
Regras de decisão: critérios que ajudam a dizer “sim” e “não” mais rápido.
Riscos e contramedidas: o que pode dar errado e como reduzir impacto.
Nessa fase, acontece a virada que muita empresa não consegue por meses: a estratégia deixa de ser uma frase e vira um desenho compartilhado, entendido por todos.
5) Do modelo ao plano: decisões, responsáveis e primeiros passos
Sem tradução para ação, workshop vira entretenimento. O LSP permite amarrar a estratégia em um roteiro prático. Uma forma objetiva de fechar o dia é organizar:
3 a 5 decisões estratégicas que mudam o jogo no próximo ciclo.
Iniciativas prioritárias com escopo mínimo viável para começar.
Responsáveis e interfaces entre áreas para não virar “terra de ninguém”.
Indicadores e sinais do que é sucesso e do que é alerta.
Rituais de acompanhamento para sustentar execução.
O resultado é uma estratégia que nasce com comprometimento porque foi construída pelo time. Isso reduz retrabalho, acelera execução e aumenta a qualidade das decisões, principalmente em contextos de mudança rápida.
Quando faz sentido usar LEGO® Serious Play® para estratégia
Se você está avaliando investir em um workshop, aqui vão situações em que o LSP costuma trazer alto retorno, justamente por reduzir tempo de desalinhamento e custo de decisão ruim:
Revisão de planejamento estratégico anual ou semestral.
Fusões, aquisições ou reorganizações com impacto de cultura e operação.
Crise, queda de performance ou mudança forte no mercado.
Conflito recorrente entre áreas, com “puxadas” diferentes de prioridade.
Necessidade de inovação com clareza de foco, não só geração de ideias.
O ponto central é: se o problema envolve pessoas, interpretação, alinhamento e escolha, a metodologia tende a ser muito eficaz.
Como a Escola de Inspirações conduz esse tipo de transformação (sem virar palestra com bloquinhos)
A Escola de Inspirações atua com metodologias disruptivas e experienciais. Na prática, isso significa que o processo é desenhado para ter 100% de participação e para transformar conversa em entrega. Em workshops com LEGO® Serious Play®, a facilitação é estruturada para que cada etapa gere um artefato claro, linguagem comum e decisões conectadas à realidade do negócio.
Por atuar com formatos presenciais, online ao vivo e in company, a solução se adapta a diferentes contextos e tamanhos de grupo, de 3 a 500 pessoas, mantendo a essência: pessoas no centro, método como alavanca e estratégia como consequência de participação real.
Se sua empresa está buscando um formato mão na massa para planejamento estratégico, vale conhecer como funciona um workshop in company e alinhar objetivos, público e duração adequada (de 2h a 16h, dependendo do desafio).
E se a sua necessidade envolve também desdobramento em cultura, liderança ou experiência do cliente, é possível integrar o LSP a programas maiores, mantendo coerência entre diagnóstico, decisão e execução. Um bom primeiro passo é conversar com uma facilitadora experiente para mapear o desenho mais efetivo.
Conclusão
Uma empresa não muda sua estratégia em um dia porque “pensou melhor”. Ela muda porque criou um ambiente em que as pessoas conseguiram ver o problema do mesmo jeito, explicitar tensões, escolher com critérios e sair com decisões acionáveis. Isso é o que um workshop com LEGO® Serious Play® faz quando bem conduzido: tira a estratégia do campo abstrato e coloca no campo do comprometimento.
Se hoje a sua estratégia parece travada em reuniões repetidas, desalinhamento entre áreas ou decisões que não se sustentam, talvez você não precise de mais slides. Talvez você precise de um processo que coloque o time para construir, entender e decidir junto.



Comentários