Empresas que ainda não estão preparadas para o Strategic Bricks (e como chegar lá)
- Renan Grandin

- 21 de mai.
- 6 min de leitura
Metodologias experienciais têm um efeito curioso no ambiente corporativo: elas aceleram conversas que, no modelo tradicional, levariam meses. Quando funcionam, tiram a estratégia do discurso e colocam as pessoas em ação. Quando não funcionam, quase sempre o problema não está na metodologia. Está no momento da empresa.
O Strategic Bricks é uma abordagem mão na massa que combina LEGO e outros materiais para apoiar times a pensar, construir, narrar, alinhar e decidir a partir de metáforas e protótipos. Isso exige um mínimo de condições internas para que o investimento gere clareza, comprometimento e mudança real.
Se o seu objetivo é “fazer algo diferente” para engajar, mas sem estar disposto a encarar conversas difíceis, decisões e desdobramentos, talvez ainda não seja a hora. A boa notícia é que existe um caminho claro para preparar o terreno e, então, colher o melhor que uma metodologia disruptiva pode entregar.
1) O que significa “não estar preparado” para uma metodologia mão na massa
Estar preparado não tem a ver com setor, tamanho da empresa ou quantidade de funcionários. Tem a ver com maturidade de intenção. Uma vivência prática como o Strategic Bricks pede três coisas:
Um problema ou objetivo bem definido: algo que mereça ser trabalhado em grupo e que gere decisões.
Um patrocinador real: alguém com autoridade para sustentar as escolhas e remover obstáculos após o encontro.
Um acordo mínimo de participação: pessoas entendendo que não é “dinâmica para distrair”, e sim trabalho sério, com linguagem lúdica.
Quando um desses elementos falta, o risco é alto: a experiência pode até ser divertida, mas termina em frases como “foi legal” e não vira execução.
2) Sinais de que sua empresa pode estar cedo demais
Abaixo estão sinais comuns de organizações que ainda não estão no ponto ideal para extrair valor máximo do Strategic Bricks. Eles não são “condenações”, são alertas de preparação.
2.1 O objetivo do encontro é genérico demais
Se o briefing é “melhorar comunicação”, “integrar o time” ou “trabalhar engajamento” sem recorte, o grupo tende a construir ideias bonitas e pouco acionáveis. Metodologias experienciais performam melhor quando o desafio é específico, por exemplo: alinhar prioridades do trimestre, redesenhar a jornada do cliente, decidir princípios de cultura, resolver ruídos entre áreas, redefinir papéis e acordos.
2.2 A liderança quer participação, mas não quer abrir espaço para o time
O Strategic Bricks é 100% participativo. Se a liderança espera “validar o que já está decidido”, o time percebe rapidamente e entra no modo defensivo. O resultado vira conformidade aparente, não comprometimento real.
2.3 Há tensão política alta e pouca segurança psicológica
Quando o ambiente está marcado por medo de exposição, disputas ou punição por discordar, a participação vira performance. A metodologia não “conserta” isso sozinha. Ela pode até revelar o problema com clareza, mas, sem preparo, a empresa tende a rejeitar o que apareceu.
2.4 A empresa está em crise operacional e sem disponibilidade de execução
Se o time está em modo incêndio, sem agenda para implementar nada, a experiência vira um pico de energia que não se sustenta. Metodologias mão na massa são catalisadoras, mas precisam de um mínimo de capacidade de execução pós-encontro.
2.5 Existe expectativa de que “a dinâmica” resolva problemas estruturais
Quando se deposita a esperança em um workshop como se fosse um “reset cultural”, o risco de frustração é grande. Strategic Bricks ajuda a acelerar alinhamento, estratégia e decisões, mas a mudança real depende do desdobramento: rituais, responsabilidades, comunicação, acompanhamento e liderança.
3) O que pode dar errado ao aplicar cedo demais
Aplicar uma metodologia experiencial antes do tempo costuma gerar efeitos colaterais que prejudicam iniciativas futuras. Os mais comuns:
Ceticismo: “já fizemos um workshop e não mudou nada”.
Fadiga de iniciativas: o time passa a ver novos projetos como modismo.
Perda de credibilidade de RH e liderança: quando não há continuidade, a confiança cai.
Diagnóstico sem ação: o grupo enxerga o problema, mas não tem patrocínio para agir.
Ou seja, o ponto não é “fazer ou não fazer”. É fazer no momento em que a empresa consegue transformar insights em decisões e decisões em comportamento.
4) Um roteiro prático para preparar sua empresa
Se você identificou alguns sinais acima, use este roteiro como um caminho de preparação. Ele ajuda a criar condições para que o Strategic Bricks seja um investimento com retorno claro.
4.1 Defina um desafio que mereça construção coletiva
Faça uma pergunta que force priorização e escolha. Exemplos:
Quais são os 3 focos estratégicos dos próximos 90 dias e o que vamos parar de fazer?
Qual experiência queremos que o cliente tenha, do início ao fim, e onde estamos quebrando a promessa?
Quais comportamentos precisam existir para a cultura desejada acontecer na prática?
Se quiser organizar esse briefing com mais precisão, vale mapear o objetivo com suporte externo, como em uma conversa de diagnóstico ou em uma abordagem consultiva. Em muitos casos, um bom ponto de partida é entender o portfólio de treinamentos e consultoria empresarial disponíveis para desenhar a solução correta.
4.2 Garanta patrocínio e governança do pós
Antes do encontro, responda:
Quem é o patrocinador e qual decisão ele está disposto a sustentar?
Quais métricas ou sinais vamos observar após 30 e 60 dias?
Quem será dono do plano de ação?
Sem isso, a experiência pode gerar clareza, mas a organização não terá mecanismo para transformar clareza em execução.
4.3 Crie um “contrato de participação” com o grupo
Metodologias lúdicas funcionam quando o time entende que o lúdico é o meio, não o fim. Um contrato simples ajuda:
Todos constroem e todos falam.
Discordância é bem-vinda, desde que seja respeitosa.
O objetivo é clareza e decisão, não consenso artificial.
4.4 Prepare lideranças para escutar e decidir
Se existe histórico de reuniões em que “nada muda”, comece pelo comportamento de liderança. Muitas empresas amadurecem mais rápido quando combinam uma vivência estratégica com desenvolvimento de líderes, ou mesmo com uma análise comportamental. Para isso, pode ser útil conhecer a Formação de Analista Comportamental DISC como base de linguagem comum para comunicação, estilo de decisão e gestão de conflitos.
4.5 Se o desafio for experiência do cliente, alinhe método e linguagem
Quando a pauta é CX ou EX, é comum o time trazer percepções dispersas. Uma forma de estruturar o pensamento é usar o Método 4C da Experiência do Cliente, desenvolvido pela Escola de Inspirações, com as etapas sequenciais: Conhecer (entender profundamente o cliente), Compreender (transformar esse conhecimento em estratégia), Cumprir (alinhar promessa e entrega com disciplina) e Cuidar (manter a relação além da entrega). Para entender como isso se conecta a workshops e consultoria, veja como o Método 4C da Experiência do Cliente funciona.
5) Quando o Strategic Bricks é a escolha certa
Agora, o outro lado: há sinais claros de que a empresa está pronta e que o Strategic Bricks tende a gerar alto valor.
Existe uma decisão ou alinhamento importante que depende de múltiplas áreas.
O time precisa sair do “debate abstrato” e enxergar o sistema com mais clareza.
Há abertura para ouvir verdades e transformar isso em acordos práticos.
O encontro faz parte de uma jornada, não de um evento isolado.
Nesse cenário, a metodologia ajuda a reduzir ruído, acelerar entendimento comum e materializar ideias em protótipos, histórias e compromissos.
Conexão com a Escola de Inspirações (sem atalhos e sem slides)
A Escola de Inspirações atua com desenvolvimento, treinamentos e consultoria empresarial com metodologias disruptivas e experienciais, em formatos online ao vivo, presencial e in company. A premissa é simples e exigente: envolvimento gera comprometimento, que gera mudança real.
O Strategic Bricks é uma metodologia própria, baseada em fundamentos de aprendizagem e que usa LEGO e outros materiais para que as pessoas pensem fazendo, construindo e vivenciando. Ele não é LEGO® Serious Play® e não substitui outras abordagens. Em muitos projetos, a escolha mais inteligente é combinar métodos e construir uma jornada.
Se você quer entender qual formato faz sentido para sua realidade, vale começar por uma conversa de diagnóstico e direcionamento. Um bom próximo passo é acessar as soluções em Strategic Bricks e avaliar, com critério, se o momento da sua empresa é “agora” ou “quase lá”.
Conclusão
Empresas que não estão prontas para o Strategic Bricks geralmente não precisam de menos participação. Precisam de mais clareza, mais patrocínio e melhor preparação. Metodologias mão na massa não são entretenimento corporativo. São uma forma poderosa de acelerar alinhamento e decisão, desde que exista intenção, contexto e continuidade.
Se a sua organização ainda está cedo demais, use isso a seu favor: ajuste o desafio, prepare lideranças, construa governança e defina o que será feito depois. Quando essas condições existem, a metodologia deixa de ser “uma dinâmica diferente” e vira um divisor de águas na forma como as pessoas pensam, se comprometem e entregam.



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