Empresas que ainda não estão preparadas para o Strategic Bricks (e o que fazer antes de aplicar)
- Renan Grandin

- há 7 dias
- 6 min de leitura
O Strategic Bricks é uma metodologia experiencial, lúdica e profundamente estratégica. Ela faz as pessoas pensarem com as mãos, traduzirem ideias em modelos, debaterem significados e saírem com decisões mais claras. Justamente por isso, nem toda empresa está pronta para aproveitar o melhor desse tipo de workshop.
“Não estar pronto” não é uma crítica. É um diagnóstico. Algumas organizações entram em uma experiência mão na massa esperando que ela compense falhas de liderança, falta de objetivos, ruídos políticos ou ausência de dados básicos. E aí o resultado fica aquém do potencial. O risco não é “não funcionar”. O risco é a empresa concluir que a metodologia não serve, quando na verdade faltou preparação para o tipo de conversa que ela provoca.
Este artigo mostra quais empresas tendem a não estar prontas para o Strategic Bricks, quais sinais você pode observar antes de contratar, e um caminho prático para preparar o terreno e transformar a vivência em alinhamento real, com comprometimento e ação.
O que significa “estar preparado” para o Strategic Bricks
Estar preparado não significa ter tudo resolvido. Significa ter condições mínimas para sustentar um processo participativo de alta intensidade, em que todo mundo constrói, explica, escuta, discorda e converge.
O Strategic Bricks é uma metodologia própria da Escola de Inspirações, baseada em 12 fundamentos de aprendizagem, e utiliza LEGO® e outros materiais como massinha, papéis, palitos, tecidos e itens de reciclagem para facilitar pensamento, comunicação e construção de soluções. Isso exige clareza de intenção e disponibilidade para cocriar.
Checklist rápido de prontidão
Existe uma pergunta central clara (problema, decisão ou direção) e não apenas um tema genérico?
As lideranças concordam com o objetivo do encontro e vão participar de verdade?
Há abertura para ouvir divergências sem punição ou sarcasmo?
O grupo convocado tem representatividade para tomar decisões ou propor ações viáveis?
Há tempo para desdobrar o que for decidido (plano, responsáveis e cadência)?
6 perfis de empresas que costumam não estar prontas (ainda)
A seguir, alguns padrões comuns. Eles não impedem o uso do Strategic Bricks, mas indicam que é melhor ajustar o cenário antes para proteger o investimento e garantir resultado.
1) Empresas que querem “motivação” quando o problema é decisão
Quando a expectativa é “animar o time” sem encarar escolhas difíceis, o workshop vira um evento simpático, mas sem consequência. Metodologias mão na massa revelam incoerências e pedem decisões. Se a empresa só quer clima, a experiência fica superficial.
O que fazer antes: transformar “motivação” em uma pergunta concreta. Por exemplo: “Quais comportamentos precisamos parar, manter e começar para atingir X em 90 dias?”.
2) Empresas que confundem workshop com terapia de conflitos
Conflitos existem e podem ser trabalhados de forma construtiva. O problema é esperar que um encontro estratégico resolva feridas profundas, assédio, quebra de confiança ou disputas de poder ativas. Nesses casos, o grupo não consegue sustentar vulnerabilidade e colaboração, e a construção vira defesa.
O que fazer antes: preparar o ambiente com conversas de alinhamento, acordos de convivência e, se necessário, intervenções específicas de liderança e cultura.
3) Empresas com liderança “presente” só no nome
Se diretoria e gestores entram no workshop apenas para abrir a sessão, ou se ficam como observadores julgando, a participação cai. Em metodologias experienciais, a liderança precisa modelar comportamento: construir, compartilhar e ouvir. Sem isso, o grupo entende que não é seguro falar a verdade.
O que fazer antes: uma etapa curta de alinhamento com líderes: objetivo, papel da liderança, decisões esperadas e limites do processo. Um bom ponto de partida é solicitar um diagnóstico de alinhamento antes do workshop.
4) Empresas que não definiram o “para quê” do encontro
“Vamos falar de estratégia” pode significar dezenas de coisas: posicionamento, portfólio, metas, prioridades, cultura, estrutura, processos, cliente. Sem recorte, o grupo constrói muitas ideias, mas pouca direção. E o pós vira uma colcha de retalhos.
O que fazer antes: definir um resultado verificável. Exemplos:
Um mapa de prioridades para os próximos 6 meses com critérios de escolha.
Um modelo de cultura desejada traduzido em comportamentos observáveis.
Um conjunto de iniciativas com responsáveis, riscos e dependências.
5) Empresas que ainda não têm dados mínimos para discutir o problema
Nem todo workshop precisa de um relatório robusto. Mas algumas discussões exigem pelo menos indicadores básicos: NPS ou reclamações, funil de vendas, turnover, pesquisa de clima, dados de produtividade, backlog, custos, SLA. Quando tudo é opinião, a construção vira disputa retórica.
O que fazer antes: reunir 5 a 10 evidências simples e compartilháveis. A pergunta não é “temos todos os dados?”. É “temos dados suficientes para não cair no achismo?”.
6) Empresas que esperam consenso rápido em temas que pedem maturidade
Strategic Bricks acelera entendimento, mas não faz milagre de maturidade. Se o assunto é muito sensível, como mudanças de estrutura, revisão de papéis, cortes, ou reposicionamento, pode ser necessário construir etapas. Caso contrário, a empresa força um consenso que ninguém sustenta depois.
O que fazer antes: desenhar uma jornada em vez de um encontro único: diagnóstico, workshop de construção, e um ciclo de desdobramento e acompanhamento.
Os riscos de aplicar cedo demais (e por que isso afasta compradores internos)
Quando a organização não está pronta, acontecem três efeitos colaterais que prejudicam futuras iniciativas de desenvolvimento:
Perda de credibilidade: o time entende como “mais uma dinâmica” sem impacto.
Ceticismo com metodologias ativas: a empresa passa a preferir reuniões tradicionais, mesmo que ineficazes.
Desalinhamento ampliado: pessoas saem com interpretações diferentes do que foi decidido, por falta de recorte e governança do pós.
Para quem está em RH, CX, EX, ou em posição de liderança e precisa defender investimento, esse cenário é o pior. Por isso, a pergunta madura não é “o Strategic Bricks é bom?”. A pergunta certa é “o que precisamos ajustar para que ele gere decisões e comprometimento?”.
Como preparar sua empresa para extrair o máximo do Strategic Bricks
Se você identificou sinais de despreparo, isso já é um avanço. Abaixo vai um plano prático, sem burocracia, para chegar no workshop no ponto certo.
Passo 1: formular uma pergunta estratégica que caiba em um encontro
Uma boa pergunta é específica, tem consequência e pede escolha. Exemplos:
“Qual deve ser nossa proposta de valor para o cliente X nos próximos 12 meses?”
“Quais são os 5 comportamentos de liderança que vamos padronizar e como medir?”
“Quais prioridades entram e saem do trimestre para bater a meta sem exaurir o time?”
Se você precisa de ajuda para converter um tema amplo em pergunta de trabalho, vale conhecer como funcionam os workshops estratégicos mão na massa.
Passo 2: garantir a mesa certa (quem decide e quem executa)
Um erro comum é chamar só “quem pode” ou só “quem quer”. O grupo precisa de equilíbrio: visão de direção e visão de chão. Também é importante combinar previamente o nível de decisão esperado: recomendação, priorização ou decisão final.
Passo 3: alinhar regras de segurança psicológica e participação
Strategic Bricks funciona com 100% de participação. Isso exige acordos claros: ouvir sem interromper, criticar ideias e não pessoas, dar espaço para todos, e registrar decisões. Parece básico, mas é o básico que sustenta o avançado.
Passo 4: preparar o pós para não virar “energia que evapora”
O pós é onde a compra se paga. Antes do encontro, defina:
Como as decisões serão documentadas (modelo simples de ata e plano).
Quem será dono de cada iniciativa.
Qual a cadência de acompanhamento (7, 30 e 90 dias, por exemplo).
Quando a empresa antecipa o desdobramento, o workshop deixa de ser evento e vira sistema de execução.
Conexão com a Escola de Inspirações (de forma prática)
A Escola de Inspirações atua com desenvolvimento, treinamentos e consultoria usando metodologias disruptivas e experienciais. O Strategic Bricks, por ser uma metodologia própria e multissensorial, é especialmente útil quando a empresa quer sair de discussões abstratas e transformar estratégia em clareza compartilhada, com envolvimento real das pessoas.
Em projetos bem desenhados, o Strategic Bricks pode ser combinado com outras soluções conforme a necessidade. Por exemplo, quando o desafio é comportamento e comunicação, uma leitura mais objetiva de perfis pode fortalecer o processo. Quando o desafio é alinhamento e tomada de decisão, a vivência prática pode ser o ponto de virada. Se fizer sentido para o seu contexto, explore as soluções de desenvolvimento para líderes e equipes e entenda qual desenho encaixa melhor no seu momento.
E vale um cuidado técnico importante: Strategic Bricks e LEGO® Serious Play® são metodologias distintas. Ambas podem usar peças LEGO®, mas têm fundamentos e objetivos próprios. Se você está comparando abordagens, veja diferenças entre metodologias com LEGO para estratégia e cultura para escolher com mais segurança.
Conclusão
Empresas que “não estão prontas” para o Strategic Bricks geralmente não estão prontas para a conversa que a metodologia destrava: escolhas, prioridades, verdades incômodas e compromissos públicos. A boa notícia é que prontidão não depende de perfeição. Depende de intenção clara, liderança participativa, ambiente minimamente seguro e um pós bem definido.
Se você quer comprar uma experiência que gere alinhamento real e evite desperdício de tempo e energia, comece pela pergunta certa e pelo desenho certo. A partir daí, o Strategic Bricks deixa de ser uma dinâmica e vira uma forma concreta de construir estratégia com pessoas, e não apenas para pessoas.



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